2ª Semana do Orgulho do IFSP Piracicaba celebra "Conexão, Diversidade e Resistência"
Cecília Ferreira de Oliveira e Maria Beatriz da Silva Santos

Entre os dias 17 e 21 de agosto, o Coletivo Madalena, juntamente com o IFSP campus Piracicaba, organizou a 2ª Semana do Orgulho LGBTQIA+, com o tema "Conexão, Diversidade e Resistência”. O evento consolidou-se como um espaço fundamental para discutir os desafios estruturais, as vivências e a memória da comunidade LGBTQIA+ dentro e fora do ambiente acadêmico. A Semana contou com diversas atividades como palestras, feira, debates e apresentações musicais.
Na abertura do evento, ocorreu um debate sobre “A Exploração Econômica da População LGBTQIA+”, ministrado por Rafa Cecilio, educadora social e militante do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário). Ela apresentou um panorama aprofundado sobre como o desenvolvimento do sistema capitalista afeta diretamente a vida da população LGBT.
No segundo dia, foi organizada uma Feira de Arte, a qual criou um espaço de visibilidade e valorização dos trabalhos manuais, das vozes e talentos da região. A feira proporcionou uma excelente oportunidade para que os expositores mostrassem e comercializassem seus trabalhos, trazendo cores e talentos da região. O público pôde prestigiar os projetos de Bulbasaito, Darkpink3d, Inara Cria, Ana Ferraz, Borges, Renato e Hermes, Analigia e Raphsz. Logo na sequência, às 19h, o evento recebeu Wallison Maciel, professor e diretor cultural da Casa do HipHop de Piracicaba, para a Oficina de Dança. Com adaptações no formato devido ao público presente, a atividade transformou-se em uma envolvente miniapresentação. Para fechar a noite, o público foi surpreendido com um show da banda Cigana Nochy, que entregou uma mistura explosiva de ritmos, crítica social e poesia.
Na manhã do dia 19 de agosto, houve uma palestra sobre "Gênero e Raça Construções sociais e a canibalização das condições de possibilidade da sociedade capitalista", ministrada por Anderson Petroni, integrante da coordenação do NUGS (Núcleo de Estudos Sobre Gênero e Sexualidade do IFSP). Petroni propôs uma reflexão sobre como gênero e sexualidade são construções sociais e abordou a maneira como nossos corpos acabam sendo mercantilizados e "canibalizados" dentro da estrutura capitalista, provocando o público a pensar sobre as bases das opressões que atravessam o ambiente acadêmico e a sociedade. À noite, aconteceu uma roda de conversa sobre “Dia do Orgulho Lésbico”, que contou com a presença de Eva Rafaela, professora de Espanhol e também membro do NUGS. O bate-papo abordou a forma como pessoas lésbicas são vistas na sociedade e a construção dessa identidade, destacando também o importante debate sobre a vivência de mulheres trans lésbicas.
No dia 20 de agosto, Raquel Gualberto e Carolina Iara, ambas integrantes da Bancada Feminista do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), foram convidadas para falar sobre “Políticas Públicas para a Comunidade LGBTQIAPN+” Contaram a história dessas políticas, sua importância e a atuação da Bancada Feminista do PSOL no estado de São Paulo para garantir os direitos à população LGBT. Carolina Iara, mulher negra, travesti e intersexo, compartilhou sua potente história de vida e sua entrada na política. Ela emocionou o público ao relatar os desafios de ser historicamente empurrada para as margens da sociedade, abordando as barreiras superadas para conseguir se impor e ocupar seus espaços. Raquel Gualberto também trouxe relatos inspiradores sobre sua trajetória, compartilhando como suas vivências e estudos — especialmente durante seu período na Unicamp — desencadearam um profundo processo de letramento racial e a descoberta de sua sexualidade. A participação do público enriqueceu o encontro, levantando a importante questão das cotas trans nas universidades. Ao final do dia, houve uma apresentação da banda Kürupunx. O trio entregou uma apresentação contagiante de punk rock, transformando indignação em um verdadeiro ato de resistência.
Por fim, o dia 21/8 contou com a presença da diretora de produção do documentário “Meu Nome é Madalena”, Natalia Benoti, contando como foi a construção do documentário e mostrando um pouco da história de Madalena Leite. Durante a conversa, destacou-se a urgência de preservar a memória da cidade. O debate evidenciou como a política institucional tenta apagar figuras históricas marginalizadas — exemplificado pelo fato de Madalena ter apenas uma página no site da Câmara dos Vereadores, sem as devidas homenagens e sendo frequentemente referida por seu nome morto.
A discussão ressaltou que o esquecimento opera como um projeto político no Brasil. Nesse cenário, o documentário se ergue como um instrumento vital de resistência, resgatando a história de militantes orgânicos. Foi reforçado que, mesmo enfrentando barreiras imensas para aprovar políticas públicas em seu mandato, Madalena abriu portas para as gerações seguintes. E é exatamente por esse motivo que o grupo leva o seu nome: a luta do Coletivo Madalena é para que existam cada vez mais "Madalenas". O encontro finalizou a 2ª Semana do Orgulho reafirmando que lutar pela memória é honrar o passado para transformar o presente, fortalecendo o movimento, para que pessoas LGBTQIA+, negras, trans e travestis ocupem cada vez mais espaços, tanto na política formal quanto na base e na militância diária.

Natalia Benoti, diretora de produção do documentário “Meu nome é Madalena”
Crédito: divulgação

Palestrantes Raquel Gualberto e Carolina Iara (ao centro) com Quinn (na ponta esquerda) e Cecília Ferreira de Oliveira (na ponta direita

Apresentação da banda Kürupunx no evento
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Palestrante Eva Rafaela e o público na Mesa-redonda sobre o Dia do Orgulho Lésbico
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Palestrante Anderson Petroni (à esquerda), estudante e a Diretora de Ensino do campus Audria Alessandra Bovo.

Banda cigana Nochi em apresentação musical
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Debate sobre “A Exploração Econômica da População LGBTQIA+” ministrado por Rafa Cecilio (ao centro), diretor do campus Alexandre Silva (à esquerda) e público
Crédito: divulgação

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